quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cine História

19 de Abril, dia do índio

Foi realizado na última terça feira na Universidade Veiga de Almeida o Cine História, que teve como convidados quatro índios do sul da Bahia, liderados por Arassari Pataxó.

Primeiramente foi realizada a abertura do evento com um ritual muito encantador por sinal, em agradecimento á Tupã, deus indígena. O cine história seguiu com muita harmonia e animação dos alunos, que ficaram fascinados e muito curiosos dividiam suas dúvidas com os convidados indígenas.

O documentário apresentado demonstrou a rotina da aldeia do Monte Pascoal e também a grande movimentação de turistas, atraídos pelo contato com as tribos e com a natureza.

A palestra teve como foco a importância dos índios como seres que compõem uma sociedade e como devem ser exterminados os estereótipos que ainda ocupam a mentalidade das pessoas.

“Ser índio não é ser selvagem. É ser brasileiro, é ser cidadão”. Afirma Arassari, que compartilhou conosco sua história de vida com suas dificuldades e vitórias como um verdadeiro defensor do seu povo.

Enfim, o cine história foi um sucesso e nosso principal interesse é trazer contribuições para os alunos para que a partir daí surjam duvidas, discussões e estudos profundos que completam a formação de um bom profissional.

Rosângela Dias, quinto período de História

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coluna do Guilherme Guaral

O valor da idéias

Nesses milênios de história da humanidade foram registradas e incorporadas ao nosso imaginário, assim como em nosso cotidiano, grandes idéias, pensamentos, considerações filosóficas que ganharam espaço e poder com o curso dos acontecimentos. Grandes revoluções aconteceram de forma fulminante ou num longo processo, anexando conquistas e, sobretudo modificando hábitos, condutas, que acabaram moldando especificidades culturais, políticas, econômicas e sociais.

No campo da História das idéias, predileção dos historiadores norte-americanos, a trilha é seguida dos filósofos gregos aos atuais pós-modernos. Alguns conceitos perduram, envelhecem ou se metamorfoseiam ao longo do tempo.

Um dos exemplos dessa relação de transformação pode ser verificado pelo conceito de cidadania que empregado nas polis gregas denotava um governo plural de todos. Lógico que a palavra todos não incluía as mulheres, escravos, estrangeiros e comerciantes. Durante a Idade Média o conceito praticamente desapareceu, pois não havia espaço nem condições sociais para a sua utilização e muito menos para a sua prática.

Com os ventos humanistas apropriados pelo movimento cultural renascentista o conceito começa a ser pinçado das tradições clássicas da cultura greco-romana e volta a freqüentar os textos dos filósofos, ainda que de maneira muito tímida.

A grande explosão que coloca a palavra definitivamente na ordem do dia é o desenlace da Revolução Francesa, que tem como seus pressupostos básicos a luta pela liberdade, igualdade e fraternidade baseados no exercício da cidadania. O direito a voto, o fim das obrigações feudais, a conquista da educação pública e gratuita e o repeito a todos os indivíduos, sem exceção, se caracterizaram como bandeiras de luta de uma geração, extremamente influenciada pelos filósofos iluministas.

Muitas vezes é enorme a distância entre a teoria e a prática. Os ventos revolucionários que varreram a França no final do século XVIII é uma marca bastante visível desse caso de abuso de conceito, fora da esfera da realidade. A burguesia liderava esse movimento e mesmo arrastando consigo as classes populares, calcadas num discurso da igualdade, desejava e isso ficou nítido com suas primeiras ações, tomar o poder e se emparelhar com o clero e a nobreza, desfrutando dos mesmos privilégios que antes renegava.

E assim aos saltos, entre trancos e barrancos usam e abusam da palavra cidadania. Quando existe o interesse, principalmente dos governos ou das classes elitizadas (no viés econômico ou cultural) em se perpetuar às desigualdades sociais, lança-se no ar a palavra mágica que parece redimir todos os pecados e igualar todos os homens e mulheres: cidadania.

Aliás, no sentido atual o significado está assentado nos direitos e deveres de cada indivíduo para com o outro e principalmente em relação às leis e a ordem instituída em nível municipal, estadual e federal. A cada um de nós é cobrado um preço extorsivo em forma de taxas, impostos e penalidades. Conquistamos alguns direitos como votar, ter um salário digno, educação, saúde pública, ir e vir e liberdade de expressão. Será??????

A mediocridade dos valores morais que nos norteiam é fruto dessa apatia do pensar. Durante a Ditadura éramos proibidos. As novas gerações herdaram o vazio. Não que elas se calem, mas o que nossos jovens andam dizendo e pensando? Cada vez mais cedo meninos e meninas começam a fumar, beber e ter relações sexuais. Se você duvida é só sair nas noites da cidade e perceber esse fenômeno. Entre rocks, funks, gírias, internets e games em geral será que sobra tempo para discutir ética, moral e cidadania. Nesse mundo regido pela lei dura do capitalismo onde o indivíduo vale pelo que ele tem e não pelo que ele é fica praticamente banida qualquer discussão com maior profundidade ideológica ou filosófica. Afinal de contas, para essa geração que é a esperança num futuro melhor, qual é o valor que as idéias podem ter?

E você leitor, tem alguma idéia que queira discutir?

Espero respostas para voltarmos a esse assunto.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Projeto Centro de Memória da Região dos Lagos

A Universidade Veiga de Almeida, por meio de seu curso de licenciatura em História, está desenvolvendo um projeto de pesquisas de fontes primárias em prol da memória da Região dos Lagos.

Segundo o professor Ms. Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira o objetivo do projeto é fomentar a produção histórica e possibilitar aos alunos acompanhar e se tornar autor de obras históricas.

Os interessados devem comparecer à Universidade no dia 26 deste mês às 17 horas e 30 minutos para uma reunião com o professor que irá esclarecer os principais pontos do projeto.

Todos os interessados poderão participar e são muito bem vindos.

Coluna do João Gilberto

QUEREMOS SIM!

Atuo no curso de história da Veiga Cabo Frio desde 2002. É bastante tempo, embora eu não tenha me dado conta até agora. Metodologia da História, Historiografia Brasileira, Tendências Historiográficas, História Moderna, Monografia, Metodologia Científica, Eletivas, Tópicos e... Ufa! Ensinei, aprendi, troquei, multipliquei: conhecimentos, afetos e informações. Antigos alunos hoje são profissionais e pesquisadores; alguns formaram lares e outros eu não sei por onde andam. Fiz amizade com gente de altíssimo nível intelectual, que me propiciaram memoráveis almoços e jantares. Havia sempre o jeito nervoso da Ângela, o ar bonachão do Walter, enigmático do Paulo Roberto e o sacana, do Léo; o professor Chicão e sua metralhadora giratória, a quem eu já chamei de doutor rock. Coragem, dizia e ainda diz o professor Guaral. Ao redor de eventos, passeios, brincadeiras, leituras e sonhos, meu sonhos, alguns dos quais se tornaram realidade, assim o tempo passou e se transformou em memória.

Agora, novos tempos. Novos professores e alunos. E o coordenador é o professor Guaral. Em meio às dificuldades, a luta pelo curso mobiliza e une corpo docente e discente, pois não se trata tão somente de uma formação como outra qualquer. Aprendi ao longo desses anos que aquele que se propõe a estudar história é especial. Não apenas estuda, faz história. É alguém que busca entender o mundo e a realidade em que vive. Não quer apenas, e ainda que isso seja importante – ele não quer uma simples profissão. Historiadores precisam saciar uma curiosidade especial, que vem da alma. Parece metafísico – admito que seja. “A gente não quer só comida / A gente quer comida Diversão e arte / A gente não quer só comida / A gente quer saída / Para qualquer parte...” A gente quer, enfim, história.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Coluna do Guilherme Guaral

Nada será como antes

Cabo Frio vem passando por um intenso processo de transformação. A parte de estruturação e desenvolvimento urbanístico, com dezenas de ruas pavimentadas, praças reformadas e bairros novos. Aquele que não visita nossa terra há mais de 10 anos, com certeza levará um susto e a surpresa será imediata. Temos uma linda cidade para usufruir e acolher os turistas que a escolhem como seu destino de lazer.

A imprensa da cidade também cresceu a olhos vistos. Os jornais proliferam, as rádios se consolidam, os blogs surgem e se vão e num fenômeno surpreendente temos diversas emissoras locais. Essas Tvs conseguem atrair a atenção dos telespectadores locais que desejam se ver e ver seus amigos, parentes e conhecidos. Aparecer nos canais locais é um passo para a “fama”. Pelo menos em Cabo Frio. Posso verificar esse fenômeno, pois desde 2003 apresento programas e agora comandando o projeto de uma novela na Jovem Tv. A repercussão é sempre interessante e espontânea.

Um ponto, porém, que vislumbro como o grande diferencial nesse processo de transformação da cidade é a instalação das Universidades Veiga de Almeida e Estácio e a revitalização da Ferlagos, assim como novas instituições de pós-graduação, formando assim um polo universitário que faz circular em nosso município cerca de dez mil estudantes de nível superior, vindos de todas as cidades da Região dos Lagos.

Os saberes já instituídos e os que estão em processo de instituição geram uma massa crítica, pensante, que busca autonomia e se torna capaz de resolver as situações-problema com maior grau de eficácia. A Universidade estimula o desenvolvimento das capacidades intelectuais e suas habilidades específicas criando condições para que o indivíduo possa entrar no mercado de trabalho, no segmento que ele escolheu, de maneira plena, apto a dar conta dos desafios que se apresentam nos diversos setores do mundo do trabalho.

Com experiência em duas instituições de Nível Superior na cidade, observo in loco o processo de transformação dos indivíduos. Desde quando esse aluno entra na Faculdade até sua formatura, um mundo novo se abre na vida de cada um deles. Eu costumo dizer que depois de entrar na Faculdade “Nada será como antes”, como diz a música dos mineiros do Clube da Esquina. Cada nova idéia, novos conceitos, discussões e verdades sendo colocadas em debate, são provas incontestes que o impacto produzido em cada aluno é enorme. Os assuntos discutidos em sala de aula transbordam os muros das Universidades e chegam até as casas, o local de trabalho os espaços de lazer, os clubes esportivos e nos bailes dançantes dos finais de semana.

Por conta desses “abalos sísmicos” nas estruturas vigentes alguns alunos sofrem com a implicância de parentes próximos ou distantes e de amigos ou colegas de trabalho que tentam, muitas vezes, desmerecer seus esforços, revelando suas posições e preconceitos que servem de discurso contra a universidade: “Ter estudo no nível superior não é tão importante assim!”, “Depois que você começou a fazer faculdade se tornou um chato, metido e agora só fala difícil.”

Esses comentários partem de todos os lados até mesmo de dentro de casa, quando uma discussão acontece, alguns maridos, filhos, namorados, esposas, namoradas soltam essas farpas.

Coragem!!! Sigam em frente! Convidem esses que reclamam a tentar também entrar no Nível Superior. Tudo ficará melhor, pois todos comungarão com as atividades de pesquisa, leitura, terão interesse por programas mais educativos e que tratem a arte como bem cultural e não lixo industrial. Assistirão palestras, congressos, navegarão pela Internet e passarão a discutir o mundo, a economia, as questões políticas e sociais de outra maneira. Até mesmo a cerveja, o futebol, o churrasco, o salão de cabeleireiro, as “liquidações da Casa e Vídeo” tomarão outra conotação e passarão a ser analisados sob um viés sociológico, histórico, filosófico ou antropológico. O mesmo se dará com os programas de televisão, as novelas, os telejornais, as músicas de massa (pagodes, axés, sertanejos e afins) serão escutados de outra forma. Essa nova forma de enxergar o mundo, o homem, o país, não será só pelo foco da negatividade. Existirá espaço para compreensão e até valorização do que muitas vezes julgávamos completamente sem importância.

Tudo que aqui está esboçado têm muito a ver com o texto “Alegoria da Caverna” de Platão. Vale a pena ler e perceber como vivemos muitas vezes dentro das cavernas enxergando a vida através das sombras e que quando se cria coragem para abandonar a caverna e ver a vida como ela é tudo se modifica. Quando temos a coragem de abandonar a mediocridade da sociedade e transpor os limites da ignorância, do misticismo e dos preconceitos ganhamos uma vida nova, uma alma nova e assim podemos transformar o mundo. Aqueles que optarem por permanecer na caverna, na maioria das vezes, preferirão continuar enxergando a vida através das sombras e vai achar que a luz do sol, a claridade, as cores do mundo te fizeram mal. O que fazer? Voltar para a caverna? Arrastar o companheiro, a companheira para fora da caverna? Abandonar a mediocridade dentro da caverna? Você é soberano nas suas decisões e viva o livre arbítrio. Só uma coisa para encerrar: Depois que você começou o seu curso na Faculdade sua vida já é outra, afinal de contas “Nada será como antes”.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PROGRAMAÇÃO CINE HISTÓRIA

UVA - Campus Cabo Frio
TERÇA, 19 de Abril de 2011 - 18:30 - Auditório Azul

ABERTURA: Ritual do Awê (dança pedindo proteção, paz e agradecimento a Tupã)

DOCUMENTÁRIOS:

- Turismo de Base Comunitária no Parque Nacional do Monte Pascoal - BA
- Pataxó - Aldeia de Barra Velha - Parque Nacional do Monte Pascoal - BA

DEBATEDORES:

- Arassari Pataxó | Pataxó da Aldeia de Barra Velha do Parque Nacional do Monte Pascoal - BA

- Prof. Me. Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira | Professor da UVA

Exibição e venda de artesanato indígena.

CINE HISTÓRIA

sábado, 4 de setembro de 2010

VIII Congresso de História da Região dos Lagos

Programação completa


Quarta – feira 22/09

Manhã

Credenciamento - 8:00 – 9:00h

Solenidade de Abertura do Congresso e Cofee-break - 9:00 – 9:30 h

Mesa 1 - 9:30h – 12:30h

Política Educacional na Região dos Lagos

Representantes das Secretarias de Educação e da Coordenadoria das Baixadas Litorâneas I e II (Cabo Frio, Arraial do Cabo, Armação de Búzios, São Pedro, Iguaba Grande, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Araruama)


Tarde

Mesa 2 - Apresentação de Trabalhos - 14:00 – 17:00

Ms. Marcello José Gomes Loureiro – (UFRJ) O Estado monárquico português no pós-Restauração (1640): estrutura administrativa e governabiblidade.

Ms. Lívia Nascimento Monteiro (UFRJ) - Olhares cristãos na cosmologia Guarani nos relatos de jesuítas e viajantes - séculos XVI a XVIII

Ms. Suellen Mayara Péres de Oliveira (UFRJ) - Da busca pela origem à coleção ultramarina: o curioso roteiro de pesquisa dos rioplatenses na Real Biblioteca da Corte do Rio de Janeiro (1842-1846)

Maria Helena Domingos (UFRJ) - José Carlos Mariátegui e a criação do socialismo na América (1926-1930)


Noite

Mesa 3 – 18:30 – 22:00 h

O Livro Didático, a Nova História Crítica e o ensino de História nas salas de aula.

Prof. Ms. Eduardo Maluf (UVA) – Perspectivas do Ensino de História no 3º milênio

Prof. Ps. Ângela Navarro Ferreira "O ensino de História e suas novas abordagens: trabalhando com a implementação das leis 10.639/03 e 11.645/08"

Prof. Ps. Cleber William Andrade de Menezes – O Quadro, o violão e a sala de aula, a História em paródias

Prof. Ms. Guilherme José Motta Faria (doutorando UFF) A subjetividade da verdade e a utilização dos Livros didáticos nas salas de aula.


Quinta-feira 23/09

Manhã

Mesa 3 – Projetos de Pesquisa: As possibilidades da História - 9:00 – 13:00 h

Prof. Ms. João Gilberto da Silva Carvalho - doutorando em psicologia social – UFRJ e Prof. Ms. Verônica de Jesus Gomes - mestre em história – UFF - Dimensões Luso-Brasileiras: os marginalizados da História

Prof. Ms.Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira - "A Nova História Militar, o diálogo com a História Social e o Império Português"

Prof. Ms. Vanessa de Oliveira Brunow - "As Organizações Não Governamentais e o conceito de sociedade civil: um estudo sobre o CERIS (Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais) na década de 1980".

Prof. Ms. Fabio Frizzo - Dominação, Economia e Representações Sociais no Império Egípcio da XVIIIa. Dinastia".


Tarde

Palestra musicada: 14:00 – 15:00 h

A História da História do Apanhei-te Cavaquinho – Cabo Frio

Maestro Ângelo Budega

Cinema e História 15:00 h

“PT – Uma estrela para quem quiser enxergar” de Célio Pimentel

“Memórias do Cativeiro” de Martha Abreu e Hebe Mattos

Cultura e Cidadania 16:30 h – 18:00h

Roda de Jongo; Apresentação de Grupos folclóricos, Oficina de Cavaquinho, Feira de Artesanato.


Noite

Mesa 4 - História Cultural : Metodologia e Ensino - 18:30 – 22:00

Profª Dra. Martha Campos Abreu (UFF) - Música negra, Memória e Poesia

Profª Dra. Marilene Rosa Nogueira da Silva (UERJ) – Relações de Poder: História de Gênero em Michel Foucault (título provisório)

Profª Dra. Maria Celi Chaves Vasconcelos (PUC) - A Importância da Pesquisas na História da Educação - Diálogos na Produção Educacional.


Sexta-feira 24/09

Manhã

Mesa 5 - Conferência Especial - 18:30 – 22:00

O Ensino de História na Escola Contemporânea

Prof Dr. Ciro Flamarion Cardoso (UFF) - A História-disciplina: atividades e definições

Prof. Dr. Silvana Cristina Bandoli Vargas (Coordenadora de História da Rede Colégio Pedro II) -


Tarde

Mesa 6 - Apresentação de Trabalhos - 14:00 – 17:00

Prof. Ps. Janderson Bax Carneiro - O Carnaval carioca na ideologia popular

(Especialista em História do Brasil pela Candido Mendes e mestrando em Ciências Sociais pela Puc-Rio)

Prof. Ps. Rafael Peçanha de Moura - "O enigma de Lévi-Strauss – diálogos entre Antropologia e História"

Prof. Ps. Jonatas Carlos de Carvalho – Fragmentos Filosóficos em Canteiros Históricos: Por uma concepção de História em Foucault

Prof. Ms. Margareth Silva Rodrigues Alves – A Casa da Roda de Cabo Frio - Charitas


Noite

Mesa 7- História Política e Social: Metodologia e Estudos de caso - 18:30 – 21:30

Prof. Dr. Antonio Carlos Jucá de Sampaio (UFRJ) "Novas tendências e debates na historiografia do período colonial".

Prof. Dr. Everardo Paiva de Andrade (UFF) - "Qual História a da Escola?"

Prof. Ms. Thiago Cavalieri (UERJ) - Populismo e Trabalhismo no Brasil: uma análise a partir da experiência pioneira de Pedro Ernesto na prefeitura do Rio de Janeiro no contexto dos anos 1930.

Festa de Encerramento - 21:30

Jantar de Confraternização com Música ao vivo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Texto do folclorista Ricardo do Carmo sobre Patrimônio Imaterial

PATRIMÔNIO IMATERIAL - FESTAS E FOLIAS DE CABO FRIO

A preocupação em proteger os bens culturais no Brasil, expandiu-se a partir do Movimento Modernista de 1922, consolidando-se em relação ao patrimônio cultural material, com a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1937. Inicialmente, em razão da importância histórica de várias cidades brasileiras, pensava-se em Igrejas, edificações seculares e conjuntos arquitetônicos, ou seja, o chamado patrimônio "de pedra e cal". Patrimônio imaterial, aquele que não é feito de matéria, ou intangível, que não pode ser tocado, tem formulação recente, que, segundo à UNESCO, atende à reivindicação de países do Oriente onde há vários níveis de cultura, além da popular (conhecida no Ocidente como folclore). Aliás, o conceito da UNESCO para o termo patrimônio imaterial é bastante semelhante àquele que propunha Câmara Cascudo para o folclore. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, patrimônio imaterial se constitue das tradições e expressões orais, das artes do espetáculo, das práticas sociais, das lendas, mitos e ritos transmitidos de geração a geração e recriados pelas comunidades e grupos em função de seu meio, de sua interação com a natureza e de sua história”. Para Cascudo esse patrimônio de tradições é o folclore, que ele definia assim: “Todos os países do mundo, raças, grupos humanos, famílias, classes profissionais, possuem um patrimônio de tradições que se transmite oralmente e é defendido e conservado pelo costume. Esse patrimônio é milenar e contemporâneo. Cresce com os conhecimentos diários desde que se integrem nos hábitos grupais, domésticos ou nacionais”.
Trata-se na verdade de uma nova forma de conceituar folclore e cultura popular, segundo concepções e práticas de pesquisa da Antropologia, tão dominantes atualmente que mereceram o seguinte comentário de Andréa Falcão: “o que está sendo institucionalizado, na verdade, com as novas políticas de preservação no Brasil, e como podemos ver de maneira geral no mundo [...], é o conceito antropológico de cultura”. O curioso é que o folclore, que não encontra espaço na Academia, passa na década de 80 a ser estudado por acadêmicos, segundo o ponto de vista antropológico, marcando uma ampliação conceitual que segue provocando tensões entre folcloristas, cientistas sociais e antropólogos.
A preocupação de salvaguardar os saberes e fazeres do povo, no entanto, é antiga. A trajetória dos estudos de cultura popular, no Brasil, remonta ao final do século XIX, através dos pioneiros: Celso de Magalhães (1849-1879) e Sílvio Romero (1851-1914), com trabalhos especialmente dedicados à literatura oral brasileira. E se o campo do patrimônio hoje aproxima-se do campo da antropologia, também pela importância atribuída aos inventários como instrumentos de conhecimento, e como busca de metodologias adequadas para esse tipo de bens, é importante lembrar as figuras de Amadeu Amaral (1875-1929) e Mário de Andrade (1893-1945), que apontavam, na época, para a necessidade de uma atuação organizada nessa área de estudos.
O perído que vai de 1947 a 1964 ficou particularmente marcado pela grande mobilização em torno desses estudos, com a criação da Comissão Nacional de Folclore (47) e da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (58), hoje denominada Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, orgão que mantém um museu e uma biblioteca, de âmbito nacional. Em discurso proferido por ocasição da criação da Comissão, seu presidente, Renato Almeida, afirmava as mesmas preocupações, já mencionadas, quanto à preservação do saber popular: “A pesquisa, para o levantamento do material, permitindo o seu estudo; a proteção do folclore evitando a sua regressão; e o aproveitamento do folclore na educação”. Caberia aí apenas mudar a palavra folclore pela nova nomenclatura adotada. E tanto isso é verdade que o antropólogo Roque de Barros Laraia ao mencionar a reação de alguns de seus pares antropólogos quando institituído o registro de patrimônio imaterial, revela que argumentaram ser o que vinham fazendo há muito tempo, mas, não esquece de destacar que “essa espécie de registo já era feita por eminentes folcloristas”.
Sobre a breve história que estabelece o novo termo, patrimônio imaterial, é preciso dizer que começou após a adoção da convenção para a proteção do patrimônio mundial, cultural e natural, em 1972, quando alguns estados-membros manifestaram interesse em ver criado um instrumento de proteção do patrimônio imaterial. Em 1989, a UNESCO adotou a recomendação para a salvaguarda da cultura tradicional e do folclore. Em 1999, decidiu criar uma distinção internacional intitulada "proclamação das obras primas do patrimônio oral e imaterial da humanidade", para distinguir os exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e tradicional.
Assim, atendendo a recomendação da UNESCO, foi criado, no Brasil, o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial – PNPI, instituído pelo Decreto n° 3.551, de 4 de agosto de 2000, que viabiliza projetos de inventário, registro e ações de salvaguarda. Após identificação através de inventário, os bens culturais de natureza imaterial deverão ser classificados em Livro de Registro do Iphan segundo os temas: Saberes – para os conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades. Celebrações – para os rituais e festas que marcam vivência coletiva, religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida social. Formas de expressão – para as manifestações artísticas em geral e lugares – para mercados, feiras, santuários, praças onde são concentradas ou reproduzidas práticas culturais coletivas. Quanto ao Plano de salvaguarda, se estrutura basicamente em duas linhas gerais: difusão – produção de filmes e impressos – e fortalecimento dos grupos comunitários, através de reuniões e oficinas.
Para transformar uma manifestação cultural em patrimônio imaterial nacional é preciso provar a importância de suas origens. A análise é realizada pelo Conselho Consultivo do Iphan, formado por 22 especialistas. Em maio de 2010, a diretoria do Iphan entregou ao prefeito da cidade de Pirenópolis, o título de Patrimônio Cultural do Brasil para a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis. Depois do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, em 2005, a festa de Pirenópolis, em Goiás, foi a primeira manifestação religiosa a receber esse título. No Rio de Janeiro existem vários inventários em andamento: o da Festa do Divino, de Paraty, e o da Feira de São Critovão, entre outros.
Para concluir é importante lembrar que a medida dessa expanção da noção de patrimônio cultural ainda não foi totalmente avaliada pelo tempo e será preciso aguardar alguns anos a mais para conhecer seu impacto nas comunidades.
Em relação a Região dos Lagos, especialmente Cabo Frio, é fundamental uma política cultural para o folclore e os demais bens imaterias, através da criação de uma Comissão com a finalidade de mapear os saberes e fazeres populares e propor a salvaguarda desse Patrimônio, exemplo: A linguagem dos cantos (descante do Reis-de-Boi, toadas da Folia do Divino, louvações da Folia-de Reis, cantigas de roda), danças (fado, chula, tontinha, capoeira, jongo), a culinária típica (camarão a casca e nó, caldeirada, marisco à marinheiro, peixe à capote, farofa de tatuí), brincadeiras (amarelinha, anel, batatinha-frita, cabra-cega, chicotinho-queimado, mamãe-posso-ir), lendas (bicho-mamãe, boitatá), artesanato (tecnologias patrimoniais de produção de utensílios para a arte da pesca e técnicas de produção artesanal do sal), medicina popular (garrafadas, xaropes caseiros e simpatias), folguedos folclóricos e autos populares (Reis-de-Boi, Boi-de-Reses, Teatro de Bonecos, Folia-de-Reis), festas tradicionais (Corpus Christi, do Divino Espírito Santo, de São Pedro, de São Cristovão, Nossa Senhora da Assunção), e se possível resgatar algumas festas extintas ou praticamente extintas (Santo Inácio, Navegantes, Pastorinhas, São Benedito), devolvendo aos cabo-frienses seus valores e crenças, modos de viver e ver o mundo.

(Ricardo do Carmo - Síntese da palestra - UVA - 2010 )

BIBLIOGRAFIA:

BENJAMIN, ROBERTO. Folclore: Cultura Viva. 10º Congresso Brasileiro de
Folclore. Maranhão. 2002.
CANCLINI, Nestor. Culturas Híbridas. São Paulo: Edusp, 1998.
CARMO, Ricardo do. Agenda Cultural Cabo Frio. Rio de Janeiro: RTC, 1994.
CASCUDO, Luís da Câmara. Seleta. Rio de Janeiro. José Olympio, 1972.
CRETTON, ANAMARIA. Folclore, Cultura Popular e Educação: Discursos e
Memórias em Práticas Comunicativas Institucionais.UNIRIO/PPGMS, 2009.
FALCÃO, Andrea Rizzotto. Construindo o Intangível. UNIRIO/PPGMS, 2004.
FRADE, Cáscia. Guia do Folclore Fluminense. Rio de Janeiro: 1985.
MASSA, Hilton. Nossa Terra, Nossa Gente. Rio de Janeiro/ Dinigraf, 1996.
WALDECK, GUACIRA. Brasis Revelados. Rio de Janeiro: CNFCP, 2008.
VILHENA, Luís Rodolfo. Projeto e Missão. Rio de Janeiro: Funarte, 1997.
APOSTILAS DO PROFESSOR:
Equipe do Programa Educativo. Sobre Folclore e Cultura Popular. Setor de
Difusão Cultural – CNFCP. Rio de Janeiro, 2003.
INTERNET:
http://www.Iphan.gov.br
http://www.cnfcp.gov.br/interna.php?ID_Secao=100
http://pt.wikipedia.org/wiki/Folclore

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Encerramento do Curso de Extensão :Patrimônio Material, Imaterial e Natural da Região dos Lagos






No dia 9/7, com palestra sobre Política e Cultura ministrada pelos professores Guilherme Guaral (UVA) e José Facury (UERJ) terminou o Curso de Extensão sobre Patrimônio Material, Imaterial e Natural da Região dos Lagos. Após a palestra a turma se confraternizou num simpático lanche partilhado.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Calendário da defesa de monografia UVA

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AGENDA PARA DEFESA DE MONOGRAFIA - HISTÓRIA 2010.1
ATENÇÃO: Entregar três vias da Monografia impressa e uma via gravada em 1 CD no dia da apresentação
06 e 07 de Julho- 18:30h/ 22:30h - Auditório Principal


MATRICULA NOME TEMA DO TRABALHO ORIENTADOR BANCA 1 BANCA 2 DATA
20091102873 Marina Almeida Bitencourt Casemiro de Abreu: Cidade, Cidadão e Poeta Guilherme Guaral João Henrique Fabio Frizzo 5/7/2010
20071170081 Sabrinna Lima dos Santos Movimento Tropicalista na Cultura Brasileira Guilherme Guaral João Gilberto Fabio Frizzo 5/7/2010
20061170100 Flavia Veríssimo A invenção de Lampião João Gilberto Guilherme Guaral João Henrique 5/7/2010
20062170376 Soraya da Costa Coelho O Branqueamento do Terreiro: Umbanda João Gilberto Guilherme Guaral João Henrique 5/7/2010
20072170174 Paulo Gonzales da Rocha A História da Educação 1980 - 1990 Guilherme Guaral João Gilberto João Henrique 5/7/2010
20061171409 Jorge Ferreira S. Filho A Música sob Censura Guilherme Guaral Fabio Frizzo João Henrique 5/7/2010
20071170413 Bruno Zanon da Silva Bushido: O Código de Etica Japonês Fabio Frizzo João Gilberto João Henrique 5/7/2010
20071170090 Marihá Simas de A. Santos Movimento Estudantil em 1968 João Gilberto Guilherme Guaral Fabio Frizzo 5/7/2010
20061171158 Samuelle Neves Gomes O Apostolado Positivista do Brasil João Gilberto Fabio Frizzo João Henrique 5/7/2010
20071170049 Shalana S. Moreira Favelas: Do Cenário Bucólico a Violência do Tráfico Guilherme Guaral João Henrique João Gilberto 5/7/2010
20021173273 Aeridam da S. Rodrigues Escravidão Urbana e Resistência Paulo Roberto Vanessa Guilherme Guaral 6/7/2010
20071170510 Neiva Sobrinho da Silva Mecanização da Produção colonial Açucareira Paulo Roberto Vanessa Fabio Frizzo 6/7/2010
20061171131 Jeferson Nascimento Viana A Participação dos Escravos na Guerra do Paraguai Paulo Roberto Vanessa Fabio Frizzo 6/7/2010
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aula Passeio - Curso de Extensão 22/05




Algumas imagens da Aula Passeio do Curso de Patrimônio Material, Imaterial e Natural da Região dos Lagos, ocorrida no dia 22/05 sob o comando do professor Rafael Peçanha.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pós-Graduação em História do Brasil

Em Agosto, nossa Coordenação estará lançando um Curso de Pós-Graduação em História do Brasil. Na próxima semana maiores detalhes, aqui em nosso Blog.
Segue abaixo um texto do professor João Gilberto, postado em seu Blog Rapidas e Sorrateiras.
Boa leitura

Guilherme Guaral
Coordenador do Curso de História
UVA Cabo Frio

COMPANHEIROS DE PROFISSÃO


É um rapaz alto, curvado como certos tipos de árvore; gentil e atencioso, trabalhava numa loja de sapatos, pelo menos certa vez comprei um tênis com ele. Ontem nos encontramos após alguns anos e nos cumprimentamos efusivamente. Disse que estava trabalhando em duas escolas e que havia concluído uma pós na UFF. Hoje foi outro - outro desses ex-alunos que me enchem de orgulho. Ele me deu um abraço, perguntou o que podia e disse o que devia, falando sempre rapidamente, como de hábito. Pareceu-me feliz. Lembrei-me também daquele ex-aluno que tirou a primeira colocação em dois concursos públicos. Além de Marcos, Daniel e Rafael, há dezenas de graduados pela Universidade de Veiga de Almeida (CF) que estão bem colocados no mercado, não obstante todo mundo dizer que o campo para historiadores está saturado. Quando não atuam diretamente na profissão, estão em outras áreas ou então em preparação para algum concurso. O importante é que se transformaram em algo melhor - esta é, a meu juízo, a função da educação em nível superior. O Daniel comentou sobre uma questão muito "surrada" em minha aula que havia "caído" num concurso público - "e, claro, acertei", disse sorrindo. Ex-alunos é apenas força de expressão; são amigos, companheiros de profissão e de vida, gente decente que batalha e merece toda a consideração do mundo...

João Gilberto - Professor da UVA Cabo Frio