quinta-feira, 30 de junho de 2011

Betty Milan, Colunista da Revista Veja

O que é ser jovem até o fim

"MEU AMIGO FRANCISCO ACREDITOU QUE, A PARTIR DOS 60 ANOS, JÁ NÃO PODIA INCIAR NADA E, POR ESSE MOTIVO, NÃO PAROU DE SE REPETIR. MORREU PRECOCEMENTE POR NÃO TER SIDO CAPAZ DE ENTENDER QUE, DEPOIS DE DEIXAR DE SER NATURAL, A JUVENTUDE É UMA CONQUISTA."

O que significa envelhecer? Ouso perguntar o significado do verbo, que a modernidade ocidental baniria da língua se pudesse. No primeiro sentido do dicionário, envelhecer é tornar-se velho. Leio e releio a frase, que me remete a um amigo de infância, Francisco, precocemente envelhecido. Continuo, no entanto sem resposta.
Volto ao dicionário. No segundo sentido, envelhecer é tomar aspecto de velho. Olho a foto do psicanalista francês Jacques Lacan que está na parede e observo seus cabelos brancos. Só que ele não se mostra envelhecido pelas suas cãs. A intensidade do seu olhar evidencia a juventude do homem – que permanecia jovem aos 74 anos, quando o conheci. Só bem depois ele perdeu o aspecto jovial.
Nos outros sentidos fornecidos pelo dicionário, também não encontro uma resposta satisfatória. No caso dos seres humanos, não se pode dizer que envelhecer é perder o viço. O homem não é um fruto. Tampouco não é um objeto.
A busca de uma definição precisa, por meio de língua, se revelou estéril. Olho de novo para a foto de Lacan e concluo que o envelhecimento físico, por si só, não é suficiente para caracterizar um velho. Eu me pergunto, então, por que ao contrário de Lacan, meu amigo Francisco envelheceu aos 60.
Citando – e comparando-se a – Pablo Picasso, o pintor espanhol, Lacan dizia que não procurava as suas ideias, simplesmente as achava. Um dia, declarou em um dos seus seminários: “Eu agora procuro e não acho”. Com essa frase, anunciou que a sua vida se apagava. Pouco depois, tomei o avião de volta para o Brasil. Naquele período, a única razão para eu ficar no França era a oportunidade de trabalhar com ele.
A juventude de Lacan, como a de Picasso, estava ligada à capacidade de se renovar através do trabalho. Duas vezes por mês, ele falava em público, para plateia de 1 000 pessoas, com ideias novas, uma atividade que demandava grande esforço. Mais de uma vez, encontrei-o exausto, em seu consultório.
Lacan foi um exemplo por nunca ter parado de começar. Embora fosse um intelectual, meu amigo Francisco acreditou que, a partir dos 60 anos, já não podia iniciar nada e, por esse motivo, não parou de se repetir. Não quis, inclusive, abrir mão de nenhum hábito da juventude.Continuava a comer, beber e fumar como aos 18. Lamentava o tempo que passava, porém não aceitava o fato traduzido nas mudanças do corpo e, assim, recusava-se a encontrar soluções para sua própria vida. Só sabia dizer: “Na minha idade é assim”. Foi vítima de uma fantasia arcaica sobre o tempo e viveu na contramão. Fazendo de conta que o tempo não existia. Morreu precocemente por não ter sido capaz de entender que, depois de deixar de ser natural, a juventude é uma conquista.

Betty Milan, Colunista da Revista Veja

Prezados alunos e amigos do curso de História,

Entramos em recesso na Universidade, mas o nosso blog está sempre sendo atualizado e eu conto com a contribuição de todos que se interessarem a nos ajudar.
Os nossos professores estão sempre enviando colunas e também noticias interessantes sobre eventos...
Agora também vamos incluir no nosso blog textos de Betty Milan, que tem uma coluna na Revista Veja. A psicanalista e escritora publica uma vez por mês e suas reflexões também vão estar presentes aqui.
Estamos na ativa!

Rosângela Dias, Moderadora do Blog e aluna do sexto período da Universidade Veiga de Almeida

Simpósio USS


O professor Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira convida a todos os alunos da graduação do curso para se inscreverem no I Simpósio de pós-graduação em História da Universidade Severino Sombra, que ocorrerá nos dias 24 e 25 de Agosto de 2011. Na oportunidade o referido professor estará coordenando uma mesa-temática, juntamente com outros dois colegas doutorandos. Maires detalhes podem ser acessados no site do evento http://www.simposiodiscenteuss.blogspot.com . Segue abaixo a proposta da mesa:
Mesa XIII: Instituições, comércio e tensões políticas: abordagens do Brasil Colonial

O vigor por que passa a historiografia brasileira dedicada ao período colonial tem levado os historiadores a encarar temas clássicos da história do Brasil com novos olhares, novas abordagens, novas perspectivas. Temas como a administração, o comércio, as lutas políticas são revisitados pelos historiadores que têm oferecido alternativas a certas concepções vistas até então como estabelecidas. Assim, as relações comerciais, tantas vezes analisadas em suas relações com a metrópole, passam a ser captadas não apenas com espaços internos da colônia, mas com outros espaços coloniais do imenso império marítimo português. As instituições da governança, como as Câmaras Municipais, as Misericórdias, as Milícias, Provedorias e Juntas da Real Fazenda, outrora vistas como meras reproduções de suas congêneres européias são estudadas, mais recentemente, como instâncias dotadas de dinâmica própria. De outra parte, as lutas políticas, que ganharam expressão nos conflitos de jurisdição, nas rebeliões, nos quilombos, e nas Inconfidências no apagar do século das luzes, não mais podem ser encaradas como conflitos que opõem irremediavelmente interesses metropolitanos e interesses coloniais. A mesa “Instituições, comércio e tensões políticas: abordagens do Brasil Colonial” pretende reunir trabalhos que estejam antenados com esses temas e que pautem, sobretudo, pela diversidade de abordagens sobre a América portuguesa.

Comentador da Mesa:

Renato Franco, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Social da USP. Pesquisador e Professor da FGV. renfranco@gmail.com

Coordenadores da Mesa:

Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH –UFF). Professor da Universidade Veiga de Almeida. lgmoreira@ig.com.br

Marcello José Gomes Loureiro, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS–UFRJ).marcelloloureiro@yahoo.com.br

Gefferson Ramos Rodrigues, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH–UFF). geffersonhistoria@yahoo.com.br


terça-feira, 28 de junho de 2011

Coluna do João Gilberto

O MUNDO PELA ÓTICA DOS OBJETOS

A professora Lourdes é coordenadora do curso de design. Fiz uma cópia de um filme que assisti, Reflexões de um Ventilador, e deixei o seguinte bilhete:

"Este é um filme alternativo, o que significa dizer objetivamente: agrada uns e desagrada a outros, provavelmente, em maior número. Mas quando o assisti, pensei em algo que pode ou deve ser compreendido somente por um designer. O homem produz coisas, expressando suas múltiplas facetas: o objeto é a exteriorização da multiplicidade humana - creio, com a devida vênia dos especialistas. Mas, e se fosse possível ver o mundo por meio dos objetos? Algo que somente a ficção permite: o nosso mundo pela ótica de um liquidificador. Como diria a galera da primeira idade: sinistro, não?"

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Coluna do João Gilberto

PODRES E RICOS
Eu ainda acredito nas pessoas, mesmo que não admita explicitamente. Ou como explicar minha incredulidade diante de uma funcionária que pretendia me prejudicar gratuitamente? Ela pegou minha papelada, deu-me um protocolo fajuto e disse que estava tudo bem. Pura ruindade, penso. Há muita gente ruim neste mundo e que consegue tranquilamente se ver diariamente no espelho. Imaginemos o caso Palocci. Ele enriqueceu vinte vezes num curto espaço de tempo. São os milhares e milhares de "paloccis" que enriquecem geometricamente que inviabilizam o aumento do salário dos bombeiros, por exemplo. E se aos bombeiros se juntarem a polícia militar, os professores, o pessoal da saúde, enfim, todas as classes profissionais que não recebem salários dignos? Não acredito que isso seja possível, embora fosse necessário. Uma quase revolução, algo para sacudir essa classe podre de políticos...

Coluna do João Gilberto

RIMEI!

Purgar até a raiz e pensar até sentir dor. Na transição entre o outono e o inverno arrepiar o cabelo do braço e beber até cansar o baço. Nada disso, pura força de expressão agora. Eu ouvia há minutos a música da névoa sob a tarde-noite que anuncia a lua. Fico pasmo ante a conclusão de que não saio do lugar. O tom é seco e sórdido - o refrão de um pesadelo sem fim. Purgar. A convicção de que a mais alta sabedoria não é transformadora. E dizem que sou pós-moderno, mas eu me vejo apenas como um ser antediluviano. Na média, não: apenas pão com manteiga. Alguém pode dizer que não estou sendo nem um pouco claro. Claro, estou apenas sendo eu mesmo e não um amontoado de clichês sociais ou linguísticos. Para ser entendido, é necessário uma aniquilação sublime, da qual sempre fugi interna e socialmente. Em outras palavras, eu disse em sala de aula: por que somos capazes de defender idéias das quais nem desconfiamos a origem? Essa frase não ficou muito boa. Aliás, no conflito entre poesia e filosofia quem geralmente perde é a grafia. Rimei!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eventos


Lançamento do livro do professor Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira: "MOREIRA, Luiz Guilherme Scaldaferri & CARNEIRO, Janderson Bax. Os índios na história da Aldeia de São Pedro de Cabo Frio – séculos XVII-XIX. Rio de Janeiro: Grafline, 2010".

Local: Feira Forte no dia 24 de Junho às 17 horas no Stand da Biblioteca Pública de Cabo Frio – Walter Nogueira.


domingo, 29 de maio de 2011

Coluna do João Gilberto

SEM PALAVRAS
Ouvi no rádio. A mãe havia se separado do pai, flagrada em traição. Ela não gostava do padrasto que viera morar com elas e procurava se manter afastada, prudentemente. Um belo dia - belo apenas por força de expressão - o tal padrasto a estuprou enquanto a mãe estava no supermercado. Chorou durante uma semana sem saber o que fazer. Se contasse ao pai, ele provavelmente mataria o miserável que pela segunda desgraçava sua vida. O tempo passou e ela resolveu ir ao médico para saber se engravidara, era o mais urgente a fazer. Não, não estava grávida. Pior: havia contraído a AIDS. Chorou ainda mais. A mãe poderia estar infectada e, quem sabe, também o pai. Agora não tinha mais opções. Ainda assim, escrevia ao programa de rádio em busca de conselhos. São as desgraças cotidianas, aquelas que não figuram nos manuais de ciência humana. Um demônio, a mãe traidora, o pai, ela - e todos aqueles que compartilham tempos tão difíceis...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Coluna do João Gilberto

SENSIBILIDADE DE OUTONO
A lua envolta em burka de nuvens se despia a cada curva. Os ares de outono anunciam o inverno, o inferno está escondido em algum canto do horizonte. A maturidade me traz a consciência do tempo, quando a vida se torna rápida feito vento de tempestade. Talvez a proximidade da data do meu aniversário me faça mal. Creio que seríamos mais felizes se não houvesse tantas datas que nos lembrassem a efemeridade da vida. A história se nutre da memória, a memória se alimenta das lembranças e as lembranças nos devoram. Animais e bebês vivem imersos num presente eterno, disse o filósofo que viveu pouco. E por isso são felizes, bebês e animais, o filósofo não. A lua já despida em São Pedro d´Aldeia me convida a pensar no futuro. É possível semear e colher sempre, este é o princípio da vida, preciso acreditar nisso. A cada aniversário uma nova colheita. Sinto o ar que entra pela janela do carona. Inspiro, acelero e penso em registrar essa sensibilidade toda...

domingo, 15 de maio de 2011

Entrevista do Professor Luíz Guilherme no Jornal "O Fluminense"

Recentemente participei de uma reportagem do jornal Fluminense (Niterói). Contudo, o Professor Fábio Frizzo me chamou a atencao para o fato de que algumas inverdades foram inseriadas em minha fala, uma vez que ainda nao tinha visto a materia.

Como personagem da reportagem, fui um dos entrevistados, quero mostrar a TOTAL repulsa pela mesma. Ñ disse que o magistério tem bons salários. Todos, inclusive eu, que trabalho no magistério já a uma década, sabemos da péssima remuneração da categoria. A repórter, para além das inverdades, poderia ter checado as informações, vendo assim que tal "afirmativa" não se sustentaria!


Coluna do João Gilberto

Turismo no céu

Ela abriu o porta-malas e chamou o rapaz da portaria. Ele atirou o imenso saco sobre as costas e se foi. Não resisti e fui perguntar o que era. Soube, então, que era ração de cachorro. Olhei a coordenadora/professora do curso de turismo e agradeci em nome de bichos que mal conheço. É reconfortante saber que existe gente boa no mundo. É verdade, há quem não goste e diga que instituições de ensino não são lugar para animais. Bem, as instituições que conheço são cheias deles, tal como a UFF ou a UFRJ – de tantos gatos e cachorros. Se o homem está destruindo sistematicamente o planeta, o mínimo que podemos fazer é fazer a nossa parte. A visão do intelectual como uma pessoa fria e insensível deve ser relegada aos filmes de terror do passado. O espírito de caridade é uma das características mais sublimes do ser humano. E foi emocionante ver as demonstrações de amizade de vários cachorros durante as enchentes da Região Serrana – eles são amigos leais e desinteressados. Assim, lidar com animais e com a natureza estimula nossa união com o planeta. É um trabalho pedagógico de resgate da alma. A coordenadora de turismo receberá, um dia, belos passeios no céu por conta de sua generosidade.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Coluna do João Gilberto

Fui solicitado a escrever mais uma vez para o blog do curso de história. E me senti um contador de histórias. Pensei em comentar alguma coisa da República Velha, embora tenha ficado tentado a discutir a relação entre a memória, a pessoal, e o trabalho do professor de história. Dizem os educadores que o ensino não pode se basear na memorização. Lembrei-me, então, de Rui Barbosa, personalidade destacada no período inicial republicano. O Águia de Haia era de uma capacidade mnemônica impressionante, entre outros atributos intelectuais. A memória é fundamental, com a devida licença dos que discordam. Precisei muito dela esta semana, para tratar de temas tão distintos quanto o funding loan, a pós-modernidade de Bauman ou as realizações do imperador Fuxi.

Não quero falar também de memória, que só me traz lembranças. Talvez pudesse mencionar quanto o outono me deixa nostálgico – um assunto por demais pessoal. Eu não falei de Nair de Tefé na aula de Brasil III ou do fascinante casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Hum... Talvez fosse melhor escrever sobre as paródias à presidenta Dilma feitas pelo grupo Kibe Loco. Rir é fundamental. Eu disse isso na aula de sociologia de educação: quem lida com crianças não envelhece. Mêncio já dizia que o grande homem é aquele que não perdeu o coração de menino. É... eu acabo de me lembrar que tenho que me arrumar para trabalhar. Meus quinze minutos para escrever uma crônica ou algo parecido terminaram.

Coluna do Guilherme Guaral

Lições da grama do meu Jardim

Um dos grandes orgulhos que eu e minha esposa cultivávamos até meados de 2008 eram o gramado e o jardim de nossa casa. Por conta da demanda dos filhos adolescentes resolvemos que o nosso condomínio estava meio distante dos acontecimentos da cidade e resolvemos alugar nossa casa e partir para morar no centro. A vida é feita de escolhas e resolvemos sair temporariamente do que era nosso e viver mais próximo do trabalho e da escola dos filhos.

O ano de 2009 foi bastante turbulento, mas cheio de aprendizagens e lições. O filho mais velho passou para a faculdade e começamos a sentir saudades de estar em casa. Resolvemos voltar no finalzinho de 2009. Quando estávamos fazendo a mudança reparamos que o nosso orgulho tinha sido destroçado. Obra de dois cachorros enormes que nossos inquilinos possuíam. O mato reinava e os buracos davam a sensação que estávamos num campo de pelada arrasado pela falta de cuidado.

Eram tantas as tarefas de recuperação que o gramado e o jardim ficaram um pouco de lado. Minha esposa mais paciente do que eu, voltou a cuidar. Chamamos um funcionário do condomínio e eliminamos o mato. Os buracos, entretanto permaneciam e um restinho teimoso de grama espalhava-se pela parte em frente da casa.

Determinado e com senso prático resolvi comprar alguns metros de brita zero e praticamente eliminei o que era grama com a dureza do material da rocha. A concretude das pedras dava um clima árido ao cenário, mas permitia que andássemos sem tropeçar nos buracos.

O ano de 2010 ia correndo sem grandes novidades ou acontecimentos impactantes. Um fato, entretanto despertou minha atenção. No meio das pedras, a grama começou a nascer e independente da dureza da brita foi encontrando espaço e germinando. Assim como as idéias e novos projetos foram germinando na minha cabeça a grama do meu jardim mostrou que era preciso tomar uma atitude. Tinha pedra demais naquele caminho!

O Projeto da novela surgiu numa noite de festa, quando um dos fundadores da Jovem Tv me contou o sonho que ele tinha em produzir novelas, seriados, programas com dramaturgia. Era a grama querendo nascer entre as pedras dos interesses políticos e das bandeiras que estigmatizam as TVs da cidade em colorações personais e partidárias.

A idéia reacendeu meu desejo de atuar culturalmente na cidade. Achava que a brutalidade da “brita” tinha exterminado essa minha vontade, mas o “gramado” de novos horizontes me impulsionou a seguir adiante, a navegar em águas mais profundas.

Com isso passei a cultivar a novela e o meu jardim. Um movimento alimentava o outro. Resolvi ir retirando as pedras para a grama ganhar espaço. Uma trabalheira danada, mas a grama foi respondendo, queria e quer nascer de qualquer jeito. Comprei terra preta, rego todas as noites e tiro pedras quase todo dia. Assim como atuo como produtor, resolvendo questões, auxiliando e motivando a equipe que já conta com mais de sessenta pessoas.

Outra coisa que aproximam os dois cultivos é o fato de que ali, regando a grama e as flores, os personagens se manifestam em minha mente. Os diálogos brotam e os personagens vão se entrelaçando numa trama que está até mesmo me surpreendendo. Na paciência do cultivo e no contato com a terra, com a água, com as flores e a grama vou ajudando a força da natureza a ganhar seu espaço na luta contra a aparente força da pedra bruta.

Aprendi e aprendo todas as noites que para conseguir realizar nossos sonhos é preciso tomar atitude, ter coragem, ter oração, ter fé e arregaçar as mangas. Cultivar, cuidar, adubar e alimentar. Às vezes, na pressa ou na ansiedade arranco junto com as ervas daninhas grama que quer nascer. Coisas do percurso. Não desanimo e procuro replantar a grama afetada ou jogar de lado, pois talvez ela não esteja pronta, naquele momento, para o meu jardim.

Vamos em frente, sempre, muito trabalho ainda está por ser realizado, talvez o jardim não se torne tão maravilhoso como nós desejamos, mas com o cuidado que estamos tendo, me faz acreditar que as flores serão admiradas e respeitadas. O zelo, a paixão e a responsabilidade extrema nos garantem que tanto o meu jardim quanto a nossa novela vai florescer e nos dar muitas alegrias, nunca esquecendo que temos muitas pedras para retirar nesse caminho.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coluna do Guilherme Guaral

Ideologia e ideologias na visão do jovem

Quando falamos sobre jovens o primeiro sentimento que salta aos olhos é a impaciência. Talvez, seja esse um dos principais sintomas que atesta nosso envelhecimento.

A adolescência é aquele período onde explodimos em dúvidas e espinhas, alimentados por um complexo de superioridade que mascara um complexo maior de inferioridade ou vice-versa. Não cabemos em nossas roupas, em nossos desejos e as perspectivas de crescer e assumir responsabilidades nos assusta e afugenta. Existem casos atualmente que a adolescência está sendo prorrogada até os trinta anos. O conforto do lar e a segurança que os pais oferecem, aliados ao sustento financeiro adiam, em muitos casos essa tomada de posição amadurecida.

Percebendo essas questões fica um pouco mais fácil tentar desvendar as angústias que cercam os meninos e meninas que estão passando por esse difícil “rito de passagem”. Tenho trabalhado com adolescentes há mais de dez anos, dando aulas e apresentando espetáculos teatrais. Com esse contato mais próximo pude me envolver mais com a realidade juvenil e de forma catártica reviver minha adolescência. Discutindo problemas e grilos dos meus alunos analisei os meu próprios grilos que ficaram ecoando por tanto tempo.

Falando com eles e para eles percebi que está faltando motivação ideológica para essa enorme população que se encontra na faixa dos 13 aos 18 anos (teoricamente, mas com algumas exceções). A frase de Cazuza nos anos 80 nunca pareceu tão apropriada: - “Ideologia, eu quero uma para viver!”.

Nossos jovens também estão envolvidos nesse dilema, mas, em muitos casos, verifiquei com certa tristeza, que o problema é maior do que eu imaginava, pois, muitos adolescentes não fazem questão de ter ou buscar uma ideologia que lhes preencha a alma. Os jovens, em sua maioria demonstram não necessitar dessa força operante que envolva idéias e ações para levar a sua vida a diante. A ideologia que é buscada é a do bem-estar próprio, satisfação dos desejos e a acomodação de não se preocupar com nada que não seja a sua própria vida.

Valores éticos e morais nem se fala! Arrumar a cama, manter o quarto em ordem, pedir a benção dos pais, ajudar os mais necessitados, nem passa pela cabeça da grande maioria dos nossos jovens, futuros cidadãos ativos de nossa Nação.

É claro que, nesse momento em que estou escrevendo muitos jovens me contradizem, fazendo movimentos solidários e encontrando sentido para suas vidas, auxiliando o próximo, levantando bandeiras nas áreas da Ecologia, da Educação ou das Artes. Infelizmente eles ainda são poucos. A mídia estimula o individualismo a qualquer preço. Vivemos sob o lema “Não tenho tempo a perder só quero saber do que pode dar certo!”. Quem procura outros caminhos está navegando sozinho nesse oceano do mundo capitalista que é desumano ao extremo. Mesmo remando contra a maré é urgente e preciso insistir em contrariar o referencial estabelecido pelo mundo globalizado e procurar partir em busca de movimentos que sejam generosos sobretudo com os que estão de fato necessitando de nosso carinho, ajuda e principalmente atenção.

Nesse quadro atual, arrisco a dizer que um dos problemas centrais, ou melhor o problema fundamental é o afastamento do ser humano de maneira geral e dos jovens por extensão, em buscar a Deus. Essa pseudo auto-suficiência que alguns jovens “arrotam” com certo ar blasé e expressão de arrogância demonstra que as instituições educacionais, que são a família, a escola, os espaços de aprendizagem diversos (cursos de idiomas, escolhinhas de esporte ou artes) não investem nessa perspectiva de proporcionar a reflexão do que é fundamental para qualquer Homem: o de ter um encontro com Deus. Não falo aqui em uma determinada religião ou seita, cada um deve encontrar a sua, mas não se pode ficar adiando por muito tempo essa possibilidade concreta de experimentar a Graça divina que é ter Deus no coração e externalizar isso em ações, palavras e sentimentos. O que assistimos, atualmente é o inverso e quem fala de Deus e sua presença é taxado de careta, reacionário e fanático. Se essas discussões voltarem a ser tema durante as aulas (não em todas, claro, por que ninguém vai agüentar, mas com certa periodicidade) poderemos, nós educadores auxiliar numa formação que amplie o conceito de ser cristão e a vocês jovens evitarem tanto sofrimento e “cabeçadas” desnecessárias nessa vida que já é por demais fria e pragmática.

Quando escrevemos não temos muita dimensão do alcance que os nossos textos terão. Esse ato isolado a frente de um teclado e do monitor de um computador é um movimento inicial, carregado de ideologias e idéias. Quando escrevo, desejo transformar o mundo, a partir de mim mesmo e através dessas páginas de jornal aqueles que dedicaram a atenção a este artigo. Essa pequena revolução acontece como uma onda, tímida, mas insistente, que espero ver se transformar em ideal de vida para alguém que estiver a essa altura da leitura concordando com as coisas que escrevi. Quem sabe assim conseguiremos multiplicar sonhos, projetos, ações e assim melhorarmos nossa casa, nossa escola, nosso bairro, nossa cidade, nosso país e nosso mundo.

Fotos Cine História







quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cine História

19 de Abril, dia do índio

Foi realizado na última terça feira na Universidade Veiga de Almeida o Cine História, que teve como convidados quatro índios do sul da Bahia, liderados por Arassari Pataxó.

Primeiramente foi realizada a abertura do evento com um ritual muito encantador por sinal, em agradecimento á Tupã, deus indígena. O cine história seguiu com muita harmonia e animação dos alunos, que ficaram fascinados e muito curiosos dividiam suas dúvidas com os convidados indígenas.

O documentário apresentado demonstrou a rotina da aldeia do Monte Pascoal e também a grande movimentação de turistas, atraídos pelo contato com as tribos e com a natureza.

A palestra teve como foco a importância dos índios como seres que compõem uma sociedade e como devem ser exterminados os estereótipos que ainda ocupam a mentalidade das pessoas.

“Ser índio não é ser selvagem. É ser brasileiro, é ser cidadão”. Afirma Arassari, que compartilhou conosco sua história de vida com suas dificuldades e vitórias como um verdadeiro defensor do seu povo.

Enfim, o cine história foi um sucesso e nosso principal interesse é trazer contribuições para os alunos para que a partir daí surjam duvidas, discussões e estudos profundos que completam a formação de um bom profissional.

Rosângela Dias, quinto período de História

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coluna do Guilherme Guaral

O valor da idéias

Nesses milênios de história da humanidade foram registradas e incorporadas ao nosso imaginário, assim como em nosso cotidiano, grandes idéias, pensamentos, considerações filosóficas que ganharam espaço e poder com o curso dos acontecimentos. Grandes revoluções aconteceram de forma fulminante ou num longo processo, anexando conquistas e, sobretudo modificando hábitos, condutas, que acabaram moldando especificidades culturais, políticas, econômicas e sociais.

No campo da História das idéias, predileção dos historiadores norte-americanos, a trilha é seguida dos filósofos gregos aos atuais pós-modernos. Alguns conceitos perduram, envelhecem ou se metamorfoseiam ao longo do tempo.

Um dos exemplos dessa relação de transformação pode ser verificado pelo conceito de cidadania que empregado nas polis gregas denotava um governo plural de todos. Lógico que a palavra todos não incluía as mulheres, escravos, estrangeiros e comerciantes. Durante a Idade Média o conceito praticamente desapareceu, pois não havia espaço nem condições sociais para a sua utilização e muito menos para a sua prática.

Com os ventos humanistas apropriados pelo movimento cultural renascentista o conceito começa a ser pinçado das tradições clássicas da cultura greco-romana e volta a freqüentar os textos dos filósofos, ainda que de maneira muito tímida.

A grande explosão que coloca a palavra definitivamente na ordem do dia é o desenlace da Revolução Francesa, que tem como seus pressupostos básicos a luta pela liberdade, igualdade e fraternidade baseados no exercício da cidadania. O direito a voto, o fim das obrigações feudais, a conquista da educação pública e gratuita e o repeito a todos os indivíduos, sem exceção, se caracterizaram como bandeiras de luta de uma geração, extremamente influenciada pelos filósofos iluministas.

Muitas vezes é enorme a distância entre a teoria e a prática. Os ventos revolucionários que varreram a França no final do século XVIII é uma marca bastante visível desse caso de abuso de conceito, fora da esfera da realidade. A burguesia liderava esse movimento e mesmo arrastando consigo as classes populares, calcadas num discurso da igualdade, desejava e isso ficou nítido com suas primeiras ações, tomar o poder e se emparelhar com o clero e a nobreza, desfrutando dos mesmos privilégios que antes renegava.

E assim aos saltos, entre trancos e barrancos usam e abusam da palavra cidadania. Quando existe o interesse, principalmente dos governos ou das classes elitizadas (no viés econômico ou cultural) em se perpetuar às desigualdades sociais, lança-se no ar a palavra mágica que parece redimir todos os pecados e igualar todos os homens e mulheres: cidadania.

Aliás, no sentido atual o significado está assentado nos direitos e deveres de cada indivíduo para com o outro e principalmente em relação às leis e a ordem instituída em nível municipal, estadual e federal. A cada um de nós é cobrado um preço extorsivo em forma de taxas, impostos e penalidades. Conquistamos alguns direitos como votar, ter um salário digno, educação, saúde pública, ir e vir e liberdade de expressão. Será??????

A mediocridade dos valores morais que nos norteiam é fruto dessa apatia do pensar. Durante a Ditadura éramos proibidos. As novas gerações herdaram o vazio. Não que elas se calem, mas o que nossos jovens andam dizendo e pensando? Cada vez mais cedo meninos e meninas começam a fumar, beber e ter relações sexuais. Se você duvida é só sair nas noites da cidade e perceber esse fenômeno. Entre rocks, funks, gírias, internets e games em geral será que sobra tempo para discutir ética, moral e cidadania. Nesse mundo regido pela lei dura do capitalismo onde o indivíduo vale pelo que ele tem e não pelo que ele é fica praticamente banida qualquer discussão com maior profundidade ideológica ou filosófica. Afinal de contas, para essa geração que é a esperança num futuro melhor, qual é o valor que as idéias podem ter?

E você leitor, tem alguma idéia que queira discutir?

Espero respostas para voltarmos a esse assunto.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Projeto Centro de Memória da Região dos Lagos

A Universidade Veiga de Almeida, por meio de seu curso de licenciatura em História, está desenvolvendo um projeto de pesquisas de fontes primárias em prol da memória da Região dos Lagos.

Segundo o professor Ms. Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira o objetivo do projeto é fomentar a produção histórica e possibilitar aos alunos acompanhar e se tornar autor de obras históricas.

Os interessados devem comparecer à Universidade no dia 26 deste mês às 17 horas e 30 minutos para uma reunião com o professor que irá esclarecer os principais pontos do projeto.

Todos os interessados poderão participar e são muito bem vindos.

Coluna do João Gilberto

QUEREMOS SIM!

Atuo no curso de história da Veiga Cabo Frio desde 2002. É bastante tempo, embora eu não tenha me dado conta até agora. Metodologia da História, Historiografia Brasileira, Tendências Historiográficas, História Moderna, Monografia, Metodologia Científica, Eletivas, Tópicos e... Ufa! Ensinei, aprendi, troquei, multipliquei: conhecimentos, afetos e informações. Antigos alunos hoje são profissionais e pesquisadores; alguns formaram lares e outros eu não sei por onde andam. Fiz amizade com gente de altíssimo nível intelectual, que me propiciaram memoráveis almoços e jantares. Havia sempre o jeito nervoso da Ângela, o ar bonachão do Walter, enigmático do Paulo Roberto e o sacana, do Léo; o professor Chicão e sua metralhadora giratória, a quem eu já chamei de doutor rock. Coragem, dizia e ainda diz o professor Guaral. Ao redor de eventos, passeios, brincadeiras, leituras e sonhos, meu sonhos, alguns dos quais se tornaram realidade, assim o tempo passou e se transformou em memória.

Agora, novos tempos. Novos professores e alunos. E o coordenador é o professor Guaral. Em meio às dificuldades, a luta pelo curso mobiliza e une corpo docente e discente, pois não se trata tão somente de uma formação como outra qualquer. Aprendi ao longo desses anos que aquele que se propõe a estudar história é especial. Não apenas estuda, faz história. É alguém que busca entender o mundo e a realidade em que vive. Não quer apenas, e ainda que isso seja importante – ele não quer uma simples profissão. Historiadores precisam saciar uma curiosidade especial, que vem da alma. Parece metafísico – admito que seja. “A gente não quer só comida / A gente quer comida Diversão e arte / A gente não quer só comida / A gente quer saída / Para qualquer parte...” A gente quer, enfim, história.