terça-feira, 13 de setembro de 2011

IX CONGRESSO DE HISTÓRIA



IX Congresso de História da Região dos Lagos

De:  19 a 21 setembro de 2011
Local: Campus Perynas – Auditório Principal
Programação
19 de setembro
15:00 h – Exibição do Filme “Garrincha, uma estrela solitária”
17:00h - Debate
18:30 – Mesa Temática “O Brasil na Rota dos Grandes Eventos Esportivos – da Copa de 1950 a Copa de 2014”
Palestrantes:
Romário Faria (Deputado Federal e ex-jogador de futebol) (aguardando Confirmação)
Alexandre Motta (Mestre em Ed.Física e coordenador de Ed. Física – Cabo Frio)
Rodrigo Terra ((Mestre em Ed. Física, prof.da UVA e da Rede Cedes do Gov. Federal) Andreia Gorito (Mestre em Comunicação pela UERJ e coord.de Com. Social)

20 de setembro
15:00 h – Exibição do Filme “Escritores da Liberdade ”
17:00h - Debate
18:30 – Mesa Temática “História e Histórias da Educação”
Palestrantes:
Marcia da Silva Quaresma (Doutoranda em Educação UERJ, a coord. de Pedagogia)
Márcia Simões Mattos (mestranda da UCP e professora do Curso de Pedagogia)
Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira (doutorando em História da UFF e professor do Curso de História)
Patrícia da Silva Lima (Especialista em pedagogia e Inspetora Escolar da Secretaria de Educação do Estado do RJ)
João Henrique de Oliveira Cristhóvão (Mestre em História pela UERJ e professor do Curso de História)

2
21 de setembro
15:00 h – Exibição do Filme “Laranja Mecânica
17:00h - Debate
18:30 – Mesa Temática “História e Psicanálise”
Palestrantes:
Eliane de Augustinis Valle Machado da Silva (Mestre em Psicanálise - UVA)
João Gilberto da Silva Carvalho Carvalho (Doutor em Representações Sociais UFRJ e professor do curso de História)
Vanessa de Oliveira Brunow - (Mestre - UFF e professora do Curso de História)
Guilherme José Motta Faria (doutorando em História na UFF e coordenador do Curso de História) 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Artigo do Aluno Adriano Chagas sobre as Escavações no Sambaqui das Palmeiras


Fragmentos de Tamba ki

Cabo Frio é uma cidade escolhida pelos deuses. Aqui a beleza nos ladeia. Temos um mar de águas claras que ao leste nos banha; as dunas, com sua formação de areia que por séculos insistem em “correr” pela praia mudando seu desenho; a mata que sempre foi berçário de espécies endêmicas; e é claro o sambaquieiro, esse elemento extraordinário que viveu nessas paragens desde sempre e que, talvez, só as árvores saibam de sua história! Mas há um fato “novo”!
Sambaqui, palavra originária do tupi Tamba ki que significa “montanha de conchas” ou concheiros. Essas estruturas que podiam atingir vários metros de altura, como de diâmetro, a exemplo do sítio arqueológico de Figueirinha – I, em Jaguaruna (SC), que tem aproximadamente 15 metros de altura¹, levando-se em conta a área a qual esses povos se fixavam, era o local onde esses mesmos faziam suas refeições e tinham com os seus. Ali passavam grande parte de seu tempo, abrindo conchas e moluscos para se alimentar. Além das conchas, depositavam outros materiais utilizados para fins alimentares ou não, tais como: cerâmicas; pedras lapidadas, para que servissem de objeto cortante; ossos que poderiam ser usados como adornos e madeiras utilizadas para fogueiras. Essas formações originaram-se do acúmulo de sedimentos que com o passar do tempo e erosão misturaram-se as conchas e utensílios, que, juntos, ficaram armazenados no solo, depositados pelo revezamento natural dos povos dessa região, criando assim uma riqueza de informações num mesmo local, que é, historicamente falando, algo incrível. A julgar que em todo o litoral brasileiro é possível encontrar sambaquis, é bem provável que esses tenham mantido contato e algum tipo de comércio, o qual por si só aumenta sua importância.
As informações expressadas acima são fundamentais para entender a importância que representa um sambaqui e o peso e complexidade cultural a qual vem associada a ele. Um local onde a história de um povo pode ser vislumbrada e compreendida na amplitude, embora restrita, de seu cotidiano. E Cabo Frio mais uma vez nos presenteia com algo desse tipo. É isso mesmo, mais um sítio arqueológico foi descoberto em Cabo Frio, precisamente na Aldeia do Portinho, trata-se de um Sambaqui, onde foi encontrada uma ossada de fêmea, batizada de Boop. Porém o sítio arqueológico está situado em uma área de construção, onde brevemente levantarão um Shopping Center. A impressão que se tem é que todo o suposto desenvolvimento deve ser feito a custa de “sacrifícios”, assim como os Vândalos, tribo germânica oriental, que destruíam os locais onde conquistavam com o discurso de se construir algo “mais” belo e melhor, apagando assim qualquer indício de cultura anteriormente. Afinal quando se quer destruir um povo, primeiro apaga-se a sua história. E nesse quadro surgem algumas dúvidas! Seriam nossos governantes pouco ou quase nada entendidos de cultura a ponto de jogar concreto em cima dessa história? Nós, sociedade civil organizada, estudantes, acadêmicos, arquitetos, engenheiros, autoridades, arqueólogos e IPHAN podemos juntos lutar pela preservação desse patrimônio que é de todos?

Pausa para reflexão.

Adriano Chagas
Estudante do 3º período de história
Universidade Veiga de Almeida


_______________
¹ www.itaucultural.org.br/arqueologia

domingo, 4 de setembro de 2011

Entrevista do Professor da Uva Luiz Guilherme Para o Intertv


Sítio arqueológico é encontrado em Cabo Frio; historiador explica origem dos Sambaquis

“É muito difícil encontrar ossadas neste estado de conservação, eles foram os primeiros povos que habitaram a Regiao dos Lagos, antes de Cabral”.

Os Sambaquis, povos indígenas que habitavam o litoral brasileiro, viveram há 7 mil anos atrás nessa região, sobreviviam da pesca, caça e levavam uma vida semelhante a dos índios. E estamos entrando nesse assunto porque foi encontrada, em Cabo Frio, mais uma ossada de Sambaqui. E o novo sítio arqueológico se localiza no terreno onde deve ser construído um shopping.


O sítio arqueológico foi descoberto no bairro Novo Portinho, em Cabo Frio, na área onde deve ser construído um shopping. Escavando a terra, pesquisadores tiveram uma surpresa: encontraram uma ossada humana de mais de 2.000 anos.


As escavações já revelaram algumas surpresas, entre elas um esqueleto, que pelo tamanho da cavidade dos olhos e da bacia, deve ter sido de uma mulher. Há sinais de flechas no peito e na mão, talvez a causa da morte. E o melhor: o esqueleto está quase completo, algo muito difícil porque as ossadas encontradas em sambaquis são pré-históricas. A estimativa é que a ossada tenha entre 2.000 e 2.500 anos.


O trabalho é delicado, minucioso e exige paciência. A terra tem que ser removida com cuidado e depois ainda é peneirada para recolher objetos pequenos que tenham escapado aos olhos atentos e treinados das arqueólogas.Durante as escavações também foram encontrados pedaços de flechas, de equipamentos de trabalho e uma agulha de osso, um instrumento que não era comum para os Sambaqueiros. Ela, junto com outros fragmentos achados no local, comprovam a convivência longa e pacífica com outro grupo de nativos vindos do centro-oeste do país: os agricultores Ceramistas da tradição Una.


A pesquisa está sendo acompanhada e registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As gravações vão virar um documentário sobre os Sambaquis. As escavações ocorrem apenas em 10% do sítio arqueológico. Os outros 90% estão protegidos pelo Iphan. O material recolhido vai ser levado para o Laboratório de Arqueologia Brasileira. De acordo com a assessoria de comunicação, o projeto do shopping está em fase de licença de instalação, que é dada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Há duas semanas, uma outra ossada humana tinha sido encontrada em Saquarema. O proprietário de uma casa fazia reparos no terreno quando encontrou todo o material no quintal. Segundo especialistas, a área deveria ter sido um Sambaqui, local de moradia temporária de comunidades muito antigas. A ossada tem cerca de 4.000 anos. Técnicos do Museu Nacional e do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) fazem a análise dos ossos.

A entrevista completa e o vídeo estão disponíveis em:

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais sobre A Cidade Perdida dos Incas

Como já foi um pouco falado aqui no Blog...

A região de Vilcabamba, no sudeste do Peru, continua a ser um fascinante campo de pesquisa para os estudiosos da cultura Inca. No alto das montanhas próximas à antiga capital, Cusco, uma série de cidades estratégicas foram erguidas no período áureo do império. Muitas delas já foram decifradas, como Machu Picchu, descoberta por Hiram Bingham, em 1911, numa expedição patrocinada pela National Geographic Society.

E também ficava ali, num ponto ainda secreto entre as montanhas e as florestas, a cidade homônima onde o último soberano inca, Tupac Amaru, lutou até a morte contra os conquistadores espanhóis, em 1572. Seu pai, Manco ?Inca, horrorizado com as atrocidades cometidas pelos invasores, havia fugido de Cusco 36 anos antes para estabelecer em Vilcabamba uma frente de resistência. Tupac Amaru herdou sua valentia mas acabou vencido, e seu nome e sua luta ainda hoje inspiram os ideais libertários de movimentos populares da América Latina. Seu lendário refúgio, contudo, jamais foi encontrado.

O mistério pode ter chegado ao fim. Num ponto a cerca de 35 quilômetros de Machu Picchu um grupo de pesquisadores liderado por Peter Frost, fotógrafo e estudioso da cultura inca há 30 anos, e pelo arqueólogo peruano Alfredo Valencia Zegarra, da universidade de Santo Antônio Abad, de Cusco. conseguiu atingir um conjunto de ruínas que, por causa da localização e da idade de uma série de artefatos, pode realmente ter sido o gueto de defesa inca.

O sítio arqueológico, no alto de uma montanha conhecida como Cerro Victoria, já havia sido avistada por Frost e pelo explorador americano Scott Gorsuch em 1999. Foram preciosos dois anos de preparação logística para difícil expedição (também financiada pela National Geographic Society), que aconteceu em junho do ano passado, mas foi divulgada apenas agora. "Esse lugar nos oferece amplas perspectivas: ele guarda resquícios da presença inca desde o início até o último suspiro de sua civilização", avalia Frost. "Se chegaram aqui, os espanhóis entraram apenas na área mais ao sul da cidade".
O trecho a ser estudado na montanha é na verdade bem maior do que eles haviam imaginado dois anos antes. O sítio se esparrama por 6 quilômetros quadrados a uma altitude de mais de 3,6 mil metros, numa região onde os Andes começam a declinar e dão lugar à Amazônia. Dessa área cercada por florestas úmidas os Incas podiam contemplar picos de até 6 mil metros. "Eu acho que eles escolheram o lugar por duas razões. Uma delas é a prospecção de minas de prata nos arredores", especula Frost. "Mas o Cerra Victoria é ainda um ponto que oferece uma esplêndida visão de cumes nevados ao redor, aos quais os incas provavelmente organizavam cerimônias de adoração. A montanha era um observatório de onde podiam montar seu calendário de acordo com as contemplações de céu e do sol.

Nenhuma das cidades já estudadas na região de Vilcabamba mostrou até hoje evidências de ter sido o derradeiro baluarte dos incas, mas o Cerro Victoria é o maior e mais significativo sítio inca descoberto desde que o arqueólogo Gene Savoy atingiu as ruínas da cidade de Vilcabamba La Vieja, perto dali, em 1964. A "disposição urbana" do alto do Victoria apresenta um conjunto de edifícios circulares, além de muros, plataformas cerimoniais, estradas, canais de água, barragem, terraços de cultivo, túmulos repletos de artefatos incaicos e uma pirâmide semidestruída. A chave do enigma está na interpretação de peças de cerâmica de dois períodos muitos distintos: a de cerca de do ano 1200, época da ascensão do império, e a de meados do século 16 (fase final da luta de Tupac Amaru contra a tirania espanhola). "A montanha guarda um enorme conjunto de relíquias arqueológicas", comenta o arqueólogo Zegarra. "O lugar promete fornecer novas e valiosas pistas sobre a ocupação nessa área remota", completa o pesquisador Johan Reinhard, bolsista da National Geographic Society.

A expedição foi uma aventura para o grupo. As dificuldades de acesso contribuíram para aumentar a mística sobre o lugar, que fica a quatro dias de caminhada da estrada mais próxima. Os exploradores foram obrigados a vencer o cânion Apurimac, de 3,3 mil metros de profundidade, e tropas de mulas foram usadas para carregar os suprimentos de água e comida montanha acima. Apesar do assombro dos pesquisadores diante da descobertas, o Cerro Victoria não era desconhecido dos nativos da região: duas famílias indígenas viviam no local, chamado por eles de Coryhuayrachina. Até o fim do ano Peter Frost e sua equipe voltarão ao local, numa expedição maior, para realizar novas pesquisas. E então eles terão mais subsídios para elucidar um dos mais importantes e ainda obscuros capítulos da história inca.

Reportagem completa no historiadomundo.com

Período Pombalino por Rainer Souza

No século XVIII, a vanguarda iluminista estabeleceu transformações notáveis nos modos de administração de várias das monarquias europeias. Inspirados pelas noções de razão e progresso calcados por esse movimento, reis, rainhas e ministros do Velho Mundo empreenderam medidas que procuravam aprimorar o aparelho administrativo e a economia de seus Estados. Seguindo essa tendência, o rei de Portugal, D. José I, indicou Sebastião Carvalho e Melo, marquês de Pombal, como ministro.

Pretendendo sanear a deficitária economia de seu país, o novo ministro combinou ações que reforçavam as práticas mercantis no espaço colonial e dinamizavam o funcionamento da administração nacional. Tomado por essas metas de cunho transformador, o marquês de Pombal enfrentou séria oposição proveniente da nobreza e do clero lusitano, que nem sempre foram prestigiados com as reformas por ele estabelecidas.

Visando o aumento das atividades econômicas no Brasil, ele determinou a criação de companhias de comércio no Grão-Pará, Paraíba e Pernambuco. Na região norte, estimulou a ampliação das plantações de algodão que poderiam atender a crescente demanda oriunda da Inglaterra. Na região das minas, os mecanismos de controle e cobrança foram reforçados e a derrama estipulada como uma cobrança compulsória feita sobre os impostos atrasados dos mineradores de uma mesma região.

Com relação à atuação dos jesuítas, Pombal imprimiu séria perseguição por achar que esses clérigos causavam sério prejuízo tanto em Portugal como no Brasil. Na visão do marquês, o predomínio jesuíta na educação portuguesa impedia o desenvolvimento de uma imprescindível mentalidade modernizadora. No Brasil, a sua influência junto aos índios, a produção de riqueza realizada no interior das missões e os conflitos contra os colonos (como a Guerra Guaranítica, de 1750) ameaçavam a autoridade metropolitana.

Desse modo, apesar da imensa polêmica gerada, Pombal estabeleceu que os jesuítas fossem expulsos do Brasil e que os mesmos não tivessem frente das instituições de ensino. Com relação a essa mesma questão, o marquês de Pombal implantou o subsídio literário, um novo imposto que iria sustentar a contratação de professores sem ligações com a Igreja. Ao longo do tempo, esse projeto de reforma educacional acabou não surtindo o efeito esperado.

Entre outras ações de Pombal, devemos destacar que ele foi o responsável pela extinção definitiva das capitanias hereditárias no Brasil e proibiu definitivamente a escravidão indígena na colônia. Além disso, estipulou que a distinção realizada entre cristãos e cristãos-novos fosse definitivamente extinta. Com isso, ele buscou centralizar a estrutura administrativa aplicada à colônia e diminuir as tensões que pudessem produzir alguma espécie de prejuízo ao governo de Portugal.

Apesar de seus esforços, Pombal não resistiu à grande influência que a Inglaterra tinha junto as questões políticas e econômicas de Portugal, e nem mesmo suportou a clara oposição dirigida por clérigos e nobres. Não por acaso, após a morte do rei D. José I, em 1777, e a chegada da rainha D. Maria I, A Louca, um fato político conhecido como “viradeira” impôs a destituição do marquês de Pombal e a anulação de várias ações administrativas por ele tomadas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

José Murilo de Carvalho no programa do Jô

José Murilo de Carvalho - O historiador, atualmente professor de História do Brasil da UFRJ.

José Murilo fala sobre democracia, cidadania e sobre seu projeto de resgatar panfletos da época da Independência do Brasil.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Primeiro encontro regional da ABPN na baixada litoranea

Caros colegas,
A ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as)), realizará nesta sexta (19) e neste sábado (20), o 1º Encontro Regional na Baixada Litorânea na cidade de São Pedro da Aldeia.
Serão abordados temas como "O contexto atual da das políticas públicas...", "Mulheres jovens Afrodescendentes e igualdade de tratamento" e grupos de trabalhos: Cultura mídia e população negra, Educação e relações etnicorraciais, Memória e história de Negros, entre outros.

O Professor da UVA Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira estará coordenando um dos GT, que é o "Memórias e História de Negros e Negras na Baixada Litorânea"

Lançamentos de livros e palestras estão incluídos nas programações do evento.

sábado, 30 de julho de 2011

Coluna do João Gilberto

SUICÍDIO


Durante muito tempo ouvi falar do imperialismo norte-americano. As maquinações da burguesia e do capitalismo tinham como objetivo levar miséria ao mundo e incrementar a acumulação. Ainda tenho na estante os livros de Sweezy e outros tantos marxistas que se esmeravam em destacar a inexorabilidade do socialismo. Ontem assisti a exortação do presidente Obama ao povo americano. Os tempos de arrogância e abundância definitivamente acabaram. Os europeus agonizam e os americanos podem recorrer à moratória. Novos tempos... Na verdade, o povo americano e europeu vai mal, mas creio que os grandes capitalistas destas nações vão muito bem obrigado, ganhando rios de dinheiro no continente asiático. A situação é preocupante porque sinaliza para grandes turbulências no cenário mundial. A modernidade foi baseada no trabalho; a pós-modernidade, no consumo. É simplesmente um modelo suicida...

Coluna do João Gilberto

TRATAMENTO

Um rapaz novo e eu observava a forma como tratava seu avô. Não me agrada a falta de modos com que certos jovens falam com seus parentes mais velhos. Antes de tratar mal, de forma injustificada, deveriam bater com a cabeça na parede. Explico. Aqueles que amamos são como partes de nosso corpo, então, tratar mal a um avô ou a uma mãe deveria ser equivalente a maltratar o próprio corpo, o que geralmente ninguém faz. Claro, sei que há casos e casos. Há pais e mães que não merecem assim serem chamados. Nos tempos de pós-modernidade, nem sempre ou quase nunca idade significa sabedoria. Entretanto, eu me recordo da sabedoria chinesa, algo assim: quem não cuida de seu corpo e não reverencia seus mestres corre perigo. Na Antiga China, o atributo principal de um homem, antes da riqueza ou do sucesso pessoal, era ser um bom filho. Então, creio que tratar mal a um parente carinhoso é um ato de covardia - de pessoas que tratam mal à irmã ou à mãe e são humildes e pusilânimes com superiores e autoridades...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Prêmio Monografia Centro Celso Furtado‏

Prezados Colegas,

O Centro Internacional Celso Furtado lançou um concurso de monografias destinado a graduandos sobre um aspecto da obra de Celso Furtado, dotado de 3 prêmios no valor de 5 mil, 2,5 mil e mil reais. Prazo final para entrega dos trabalhos dia 12 de agosto de 2011. Precisões e informações complementares no link:

http://centrocelsofurtado.org.br/interno.php?cat=2&lg=pt&it=144&TpPag=1&mat=115

terça-feira, 12 de julho de 2011

Coluna do João Gilberto

DE ANIMAIS?

Na tv, mais uma luta de MMA. Ouço com frequência comentários do tipo: "coisa de animais", "barbaridade" entre outras, pouco elogiosas. Não tenho como retrucar, nem quero. Mas penso sempre no monte de barbaridades que existem no mundo. Os caras são lutadores experientes e preparados para isso. Há normas e assistência médica aos competidores. Quem trabalha há horas de distância, enfrentando condução cheia e salário miserável, não está certamente em situação melhor. Sem falar de trabalhadores de minas de carvão, salinas, cemitérios, docas e assim por diante. O mundo das artes marciais já fez muita gente rica e famosa, pois desde que mundo é mundo a agressividade une homens e animais.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Coluna do João Gilberto

FILOSOFIA DE VIDA

Alguns ganham a vida às custas de pancadaria, são os lutadores de diferentes modalidades de artes marciais que, para muitos, não têm nada de artístico. Há os que trabalham em atividades edificantes, valorizadas socialmente, mesmo que a remuneração não seja compatível, é o caso dos professores. Seja como for, todos precisam ganhar o sustento, o pão nosso de cada dia. O trabalho tornou-se algo tão fundamental na vida das pessoas que todo mundo é aquilo que trabalha: sou advogado, sou engenheiro, sou padeiro, enfim, todos dizem ser e não estar. Há profissões muito agradáveis e rentáveis, sem contar aqueles que são patrões e podem desfrutar os confortos da vida. Tudo o que estou dizendo até agora é perfeitamente óbvio. Esta semana recebi muitos elogios e algumas críticas a meu trabalho de professor. Tenho a consciência de que faço o melhor possível, independentemente de qualquer coisa, esta é minha filosofia de vida. Aprendi no zen budismo a colocar minha consciência em tudo o que faço. Hoje, novamente, ponho minha cabeça no travesseiro e durmo tranquilamente... durmo bem, reflexo do bem que procuro cultivar...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Centenário Machu Picchu


Machu Picchu de Hiran Bingham

O mundo e a ciência foram surpreendidos pelo resultado de uma das mais famosas expedições da contemporaneidade.
No dia 24 de Julho de 1911, Hiran Bingham, professor da Universidade de Yale, chegou ao sítio arqueológico de Machu Picchu no Peru .
É indiscutível o fato de que os peruanos locais já tinham noção da existência das ruínas, porém, a 'descoberta' avassaladora de Bingham foi o ponto inicial para o preenchimento de inúmeras lacunas que existiam (e ainda existem) nos estudos da história do antigo império Inca.
Além da beleza incrível, Machu Picchu - que significa montanha velha - revela a tamanha inteligencia desses povos e a partir
das complexas construções, mostram grande conhecimento em matemática, agricultura e astronomia. Os Incas foram mais uma população indígena dizimada com a chegada dos espanhóis na América.
A expedição de Bingham foi pioneira de muitas outras que surgiram para o aprimoramento de estudiosos e turistas, fazendo do lugar um ícone mundial que também se tornou patrimônio da humanidade.
Com o centenário da descoberta do sítio, estão sendo organizadas exposições arqueológicas no museu da cidade de Cusco, em comemoração do marco histórico...
Vale a pena saber mais!

Rosângela Dias, aluna do sexto período da UVA.



Texto base publicado na Revista 'MIT' de junho de 2011.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Betty Milan, Colunista da Revista Veja

O que é ser jovem até o fim

"MEU AMIGO FRANCISCO ACREDITOU QUE, A PARTIR DOS 60 ANOS, JÁ NÃO PODIA INCIAR NADA E, POR ESSE MOTIVO, NÃO PAROU DE SE REPETIR. MORREU PRECOCEMENTE POR NÃO TER SIDO CAPAZ DE ENTENDER QUE, DEPOIS DE DEIXAR DE SER NATURAL, A JUVENTUDE É UMA CONQUISTA."

O que significa envelhecer? Ouso perguntar o significado do verbo, que a modernidade ocidental baniria da língua se pudesse. No primeiro sentido do dicionário, envelhecer é tornar-se velho. Leio e releio a frase, que me remete a um amigo de infância, Francisco, precocemente envelhecido. Continuo, no entanto sem resposta.
Volto ao dicionário. No segundo sentido, envelhecer é tomar aspecto de velho. Olho a foto do psicanalista francês Jacques Lacan que está na parede e observo seus cabelos brancos. Só que ele não se mostra envelhecido pelas suas cãs. A intensidade do seu olhar evidencia a juventude do homem – que permanecia jovem aos 74 anos, quando o conheci. Só bem depois ele perdeu o aspecto jovial.
Nos outros sentidos fornecidos pelo dicionário, também não encontro uma resposta satisfatória. No caso dos seres humanos, não se pode dizer que envelhecer é perder o viço. O homem não é um fruto. Tampouco não é um objeto.
A busca de uma definição precisa, por meio de língua, se revelou estéril. Olho de novo para a foto de Lacan e concluo que o envelhecimento físico, por si só, não é suficiente para caracterizar um velho. Eu me pergunto, então, por que ao contrário de Lacan, meu amigo Francisco envelheceu aos 60.
Citando – e comparando-se a – Pablo Picasso, o pintor espanhol, Lacan dizia que não procurava as suas ideias, simplesmente as achava. Um dia, declarou em um dos seus seminários: “Eu agora procuro e não acho”. Com essa frase, anunciou que a sua vida se apagava. Pouco depois, tomei o avião de volta para o Brasil. Naquele período, a única razão para eu ficar no França era a oportunidade de trabalhar com ele.
A juventude de Lacan, como a de Picasso, estava ligada à capacidade de se renovar através do trabalho. Duas vezes por mês, ele falava em público, para plateia de 1 000 pessoas, com ideias novas, uma atividade que demandava grande esforço. Mais de uma vez, encontrei-o exausto, em seu consultório.
Lacan foi um exemplo por nunca ter parado de começar. Embora fosse um intelectual, meu amigo Francisco acreditou que, a partir dos 60 anos, já não podia iniciar nada e, por esse motivo, não parou de se repetir. Não quis, inclusive, abrir mão de nenhum hábito da juventude.Continuava a comer, beber e fumar como aos 18. Lamentava o tempo que passava, porém não aceitava o fato traduzido nas mudanças do corpo e, assim, recusava-se a encontrar soluções para sua própria vida. Só sabia dizer: “Na minha idade é assim”. Foi vítima de uma fantasia arcaica sobre o tempo e viveu na contramão. Fazendo de conta que o tempo não existia. Morreu precocemente por não ter sido capaz de entender que, depois de deixar de ser natural, a juventude é uma conquista.

Betty Milan, Colunista da Revista Veja

Prezados alunos e amigos do curso de História,

Entramos em recesso na Universidade, mas o nosso blog está sempre sendo atualizado e eu conto com a contribuição de todos que se interessarem a nos ajudar.
Os nossos professores estão sempre enviando colunas e também noticias interessantes sobre eventos...
Agora também vamos incluir no nosso blog textos de Betty Milan, que tem uma coluna na Revista Veja. A psicanalista e escritora publica uma vez por mês e suas reflexões também vão estar presentes aqui.
Estamos na ativa!

Rosângela Dias, Moderadora do Blog e aluna do sexto período da Universidade Veiga de Almeida

Simpósio USS


O professor Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira convida a todos os alunos da graduação do curso para se inscreverem no I Simpósio de pós-graduação em História da Universidade Severino Sombra, que ocorrerá nos dias 24 e 25 de Agosto de 2011. Na oportunidade o referido professor estará coordenando uma mesa-temática, juntamente com outros dois colegas doutorandos. Maires detalhes podem ser acessados no site do evento http://www.simposiodiscenteuss.blogspot.com . Segue abaixo a proposta da mesa:
Mesa XIII: Instituições, comércio e tensões políticas: abordagens do Brasil Colonial

O vigor por que passa a historiografia brasileira dedicada ao período colonial tem levado os historiadores a encarar temas clássicos da história do Brasil com novos olhares, novas abordagens, novas perspectivas. Temas como a administração, o comércio, as lutas políticas são revisitados pelos historiadores que têm oferecido alternativas a certas concepções vistas até então como estabelecidas. Assim, as relações comerciais, tantas vezes analisadas em suas relações com a metrópole, passam a ser captadas não apenas com espaços internos da colônia, mas com outros espaços coloniais do imenso império marítimo português. As instituições da governança, como as Câmaras Municipais, as Misericórdias, as Milícias, Provedorias e Juntas da Real Fazenda, outrora vistas como meras reproduções de suas congêneres européias são estudadas, mais recentemente, como instâncias dotadas de dinâmica própria. De outra parte, as lutas políticas, que ganharam expressão nos conflitos de jurisdição, nas rebeliões, nos quilombos, e nas Inconfidências no apagar do século das luzes, não mais podem ser encaradas como conflitos que opõem irremediavelmente interesses metropolitanos e interesses coloniais. A mesa “Instituições, comércio e tensões políticas: abordagens do Brasil Colonial” pretende reunir trabalhos que estejam antenados com esses temas e que pautem, sobretudo, pela diversidade de abordagens sobre a América portuguesa.

Comentador da Mesa:

Renato Franco, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Social da USP. Pesquisador e Professor da FGV. renfranco@gmail.com

Coordenadores da Mesa:

Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH –UFF). Professor da Universidade Veiga de Almeida. lgmoreira@ig.com.br

Marcello José Gomes Loureiro, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS–UFRJ).marcelloloureiro@yahoo.com.br

Gefferson Ramos Rodrigues, Doutorando do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH–UFF). geffersonhistoria@yahoo.com.br


terça-feira, 28 de junho de 2011

Coluna do João Gilberto

O MUNDO PELA ÓTICA DOS OBJETOS

A professora Lourdes é coordenadora do curso de design. Fiz uma cópia de um filme que assisti, Reflexões de um Ventilador, e deixei o seguinte bilhete:

"Este é um filme alternativo, o que significa dizer objetivamente: agrada uns e desagrada a outros, provavelmente, em maior número. Mas quando o assisti, pensei em algo que pode ou deve ser compreendido somente por um designer. O homem produz coisas, expressando suas múltiplas facetas: o objeto é a exteriorização da multiplicidade humana - creio, com a devida vênia dos especialistas. Mas, e se fosse possível ver o mundo por meio dos objetos? Algo que somente a ficção permite: o nosso mundo pela ótica de um liquidificador. Como diria a galera da primeira idade: sinistro, não?"

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Coluna do João Gilberto

PODRES E RICOS
Eu ainda acredito nas pessoas, mesmo que não admita explicitamente. Ou como explicar minha incredulidade diante de uma funcionária que pretendia me prejudicar gratuitamente? Ela pegou minha papelada, deu-me um protocolo fajuto e disse que estava tudo bem. Pura ruindade, penso. Há muita gente ruim neste mundo e que consegue tranquilamente se ver diariamente no espelho. Imaginemos o caso Palocci. Ele enriqueceu vinte vezes num curto espaço de tempo. São os milhares e milhares de "paloccis" que enriquecem geometricamente que inviabilizam o aumento do salário dos bombeiros, por exemplo. E se aos bombeiros se juntarem a polícia militar, os professores, o pessoal da saúde, enfim, todas as classes profissionais que não recebem salários dignos? Não acredito que isso seja possível, embora fosse necessário. Uma quase revolução, algo para sacudir essa classe podre de políticos...

Coluna do João Gilberto

RIMEI!

Purgar até a raiz e pensar até sentir dor. Na transição entre o outono e o inverno arrepiar o cabelo do braço e beber até cansar o baço. Nada disso, pura força de expressão agora. Eu ouvia há minutos a música da névoa sob a tarde-noite que anuncia a lua. Fico pasmo ante a conclusão de que não saio do lugar. O tom é seco e sórdido - o refrão de um pesadelo sem fim. Purgar. A convicção de que a mais alta sabedoria não é transformadora. E dizem que sou pós-moderno, mas eu me vejo apenas como um ser antediluviano. Na média, não: apenas pão com manteiga. Alguém pode dizer que não estou sendo nem um pouco claro. Claro, estou apenas sendo eu mesmo e não um amontoado de clichês sociais ou linguísticos. Para ser entendido, é necessário uma aniquilação sublime, da qual sempre fugi interna e socialmente. Em outras palavras, eu disse em sala de aula: por que somos capazes de defender idéias das quais nem desconfiamos a origem? Essa frase não ficou muito boa. Aliás, no conflito entre poesia e filosofia quem geralmente perde é a grafia. Rimei!